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Mensagem do Dia

Mortos no Necrotério

Texto: Ef 2.1 – 10

Neste capítulo, Paulo descreve a situação degradante do ser humano em sua natureza caída em relação ao seu Criador. O ser humano está morto! Sem Deus, o homem é um cadáver ambulante! A palavra usada por Paulo no original para “mortos” é o adjetivo nekros – aquele que deu o seu último suspiro, sem vida. Ou seja, morto mesmo. A palavra necrotério vem de nekros. Não se trata de alguém quase morto como se estivesse em uma UTI em seus últimos suspiros lutando pela vida. Significa antes, totalmente morto na pedra do necrotério.

Há uma qualificação textual da morte que Paulo destaca dentro do próprio capítulo:

v.2 – Mortos em “delitos e pecados”
v.3 – Mortos “segundo o curso deste mundo”
v.3 – Mortos “segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”
v.3 – Mortos “segundo as inclinações da nossa carne”
v.3 – Mortos “segundo… a vontade da carne e dos pensamentos”

Tal qualificação não deixa margem para questionamentos e especulações. Paulo está usando o adjetivo – nekros – para qualificar o real sentido espiritual do ser humano caído. Assim como um cadáver sem o fôlego de vida está morto – assim está também o homem sem Deus. Assim como Lázaro não podia se auto – ressuscitar – o homem sem Deus também não pode. Um cadáver não pode responder aos estímulos externos. O homem sem Deus, morto espiritualmente, jamais responderá ao chamado salvífico de Deus, se o próprio Deus antes não lhe ressuscitar. A única esperança que o apóstolo deixa no texto ao homem como cadáver ambulante é a Regeneração.

A Regeneração é uma obra de mão única. É Deus, o Espírito Santo que realiza. Não há cooperação humana. O homem está morto na pedra do necrotério e não responde aos estímulos externos. O Espírito trabalha através da Palavra nas entranhas do ser humano. É uma obra poderosa, invisível e misteriosa. O Espírito Santo como o vento sopra onde quer não se sabe de onde vem nem para onde vai (Jo 3.3 – 8). Não se olha o vento, mas se sente; desta forma age o Espírito Regenerador:
“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Jesus Cristo, para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Jesus Cristo” (4 -7).

Nesta passagem fica evidente que a Regeneração vem antes da Conversão. Contudo, são concomitantes. A Conversão é uma obra que tem a participação humana. O Espírito Santo primeiro ressuscita o homem morto espiritualmente através da pregação da Palavra. Depois, através da mesma Palavra, vencido e convencido em seu pecado, o homem reage positivamente ao chamado salvífico de Deus prostrando – se arrependido aos Seus pés. Ele é convertido por Deus. É o homem que vai voluntariamente diante do Trono da graça buscar perdão, misericórdia e amor aos pés do Senhor. Antes, o ser humano só fugia do Criador sem nenhum sentimento de culpa verdadeiro por seus pecados. Ele estava morto. Não externava nenhum desejo sincero por Deus e jamais externaria. A humanidade morta em seus pecados é escrava do pecado e convencida em sua mente, espírito, coração e vontade que o verdadeiro estímulo para vida que precisa está nos prazeres que o mundo oferece. Toda e qualquer iniciativa solitária de busca do homem morto – nekros – por Deus é uma busca envolta em interesse egoísta.

Desde o Édem que Deus em Sua graça e condescendência vem ao encontro do fugitivo homem para lhe ressuscitar da morte espiritual. E continuará assim até Cristo voltar. A salvação por este prisma é pura graça de Deus. Até a obra para o salvo trabalhar é uma expressão graciosa do plano redentor de Deus antes dos tempos eternos – v.10.

No versículo 3 Paulo escreve:

v.3 – Mortos “segundo o curso deste mundo”
v.3 – Mortos “segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”
v.3 – Mortos “segundo as inclinações da nossa carne”
v.3 – Mortos “segundo… a vontade da carne e dos pensamentos”

Aqui não há dúvidas que a força avassaladora, dominadora e destruidora sobre o homem caído e morto em seus delitos e pecados é a – força satânica.
O sentido original deste verso é estarrecedor. A inclinação governante do ser humano caído e depravado é contrária e violentamente indisposta a Deus. A palavra usada no original para inclinação é epithumia – desejo, anelo, anseio, desejo pelo que é proibido, luxúria. Fica claro que a inclinação pecaminosa dominante da natureza humana não deixa margem para uma auto – libertação. O homem é totalmente escravo. E mais: A natureza do homem caído está ligada em total subordinação ao pecado e rebelião contra Deus, assim como a natureza do porco está ligada à lama. Não há como dicotomizar. Só Deus pode libertar.

Satanás tem desde a queda do homem no Jardim do Édem domínio sobre a humanidade e criação. Mas tal domínio está em total controle providencial de Deus. Deus governa e impõe limites. Nada foge ao sábio, soberano e perfeito plano do Criador. A ação de Satanás está dentro do plano eterno de Deus.
Não entendemos muitas coisas no Governo de Deus neste presente mundo. Isto não deve nos desanimar, mas encorajar – nos. O povo eleito e predestinado de Deus foi regenerado e convertido para perseverar esperançosamente até a volta de Cristo. A vida de um regenerado não se limita aos prazeres transitórios deste século. O salvo já não está mais morto espiritualmente – nekros – na pedra do necrotério, mas sim, assentado nas regiões celestes com Cristo.
Soli Deo Gloria. Amém.

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